Diabetes e Infecção: Principais Infecções em Diabéticos (Parte I)

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O diabetes melitus é uma doença de alta prevalência nos dias atuais. Observa-se depleção da resposta imune celular no paciente diabético, no entanto, não existe evidência inequívoca da relação entre esta condição e a ocorrência de infecções. A aula pretende descrever as principais infecções que acometem os diabéticos, sua epidemiologia, história natural e prognóstico.

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Diabetes e Infecção : Diabetes e Infecção Prof. Valdi Tutunji

Introdução : Introdução Diagnóstico e manejo: Clínico e endocrinologista; Epidemiologia: 7,6% (Brasil); Entre 30 e 69 anos; ˜ 50% desconhece a condição; ˜ 25% não fazem tratamento

Diabetes e Infecção : Diabetes e Infecção Não há fortes evidências da relação: Maior incidência de infecções específicas; Maiores taxas de complicações; Maior severidade; Algumas infecções específicas; Descompensação: Cetoacidose Coma hiperosmolar

Alterações Imunonológicas : Alterações Imunonológicas Resposta celular prejudicada: Hiperglicemia ? acidose; ? Atividade fagocitária; ? Quimiotaxia e opsonização; ? Sistema superóxido; ? Produção de interleucinas (IL2). Resposta humoral preservada: Resposta adequada a vacinação.

Trato Respiratório : Trato Respiratório Mortalidade: Risco 1,3 para diabéticos (OR) > Incidência de: Staphylococcus aureus; Bacilos Gram (-): Rápida e progressiva lesão pulmonar ? óbito Mycobacterium tuberculosis; 3 a 4 x mais prevalente em diabéticos. Streptococcus pneumoniae: ?risco de bacteremia e mortalidade.

Trato Urinário : Trato Urinário Bacteriúria assintomática; 2 uroculturas (2º jato) >105UFC/mL sem sintomas urinários; 4 x mais frequente em mulheres diabéticas; 8% das mulheres desenvolve ITU após 1 semana Fatores de risco: Neuropatia diabética; Bexiga neurogênica; Doença vascular diabética: Retinopatias; Cardiopatias; Doença vascular periférica.

Trato Urinário : Trato Urinário Causas: ? atividade leucocitária; ? adesão ao epitélio urogenital; História natural: Mais grave (80%); Maior bilateralidade de pielonefrite; Maior prevalência de infecções fúngicas (Candida sp.); Mais complicações.

Trato Urinário : Trato Urinário Complicações: Necrose papilar; Abcesso renal e/ou perinefrético; 1/3 ocorrem em diabéticos; Desconfiar após 4 dias de antibioticoterapia. Pielonefrite xantogranulomatosa; Ciste e pielonefrite gangrenosas. Desconfiar após 4 dias de antibioticoterapia.

Trato Urinário : Trato Urinário Tratamento: Bacteriúria assintomática: Antibiograma; 7 a 14 dias; 70% recorrência (até 35 meses); 75% com novo microorganismo. Pacientes com alterações anatômicas tratadas apenas se houver sintomatologia.

Trato Urinário : Trato Urinário Pielonefrite gangrenosa Infecção caseosa do parênquima renal, tecido perinefrético e sistema coletor. Presença de gás em 30% (radiografia); 70 a 90% em diabéticos; Necrose papiplar em 20%; Nefrectomia. Principais agentes: Escherichia coli (50 – 75%); Anaeróbios.

Periodontite : Periodontite Infecção bacteriana crônica: Piora os níveis glicêmicos; Mais agressiva; Complicação (perda do dente); Risco: 4 x mais frequente em diabéticos sem controle glicêmico; Maior em diabéticos de longa duração.

Infecção de Tecidos Moles : Infecção de Tecidos Moles Pé diabético é a mais frequente: Maior causa de amputações; 51% dos diabéticos internados. Fatores de Risco: Neuropatia diabética; Doença vascular periférica; Úlceras prévias; Dermatoses

Infecção de Tecidos Moles : Infecção de Tecidos Moles Outras: Abcessos; Cellite; Erisipela; Fasceíte necrozante; Piomiosite Não diabéticos: Recomenda-se screening (glicemia, TTGO).

Infecção de Tecidos Moles : Infecção de Tecidos Moles Fasceíte necrozante: Tipicamente polimicrobiana: Aeróbios e anaeróbios. Rápida evolução ? Sepse. Principais achados: Febre Dor local intensa; 50% apresentam crepitação (gás na radiografia); Poucos sinais inflamatórios adjacentes; Sinais de toxicidade sistêmica.

Infecção de Tecidos Moles : Infecção de Tecidos Moles Fasceíte necrozante: Locais mais afetados: Extremidades; Períneo; Parede abdominal. Tratamento agressivo: Antibioticoterapia Debridamento Oxigênio hiperbárico

Infecção de Tecidos Moles : Infecção de Tecidos Moles Piomiosite: Infecção da musculatura estriada esquelética acompanhada de abcessos intramusculares; Staphylococcus aureus; Achados: Iniciais: Dor leve, edema, induração local, com ou sem febre. Após 10 a 21 dias: Dor intensa, febre, punção obtem secreção purulenta. Fase tardia: Sepse.

Otite Externa Invasiva : Otite Externa Invasiva Alta morbidade e mortalidade; Mais frequente em idosos; Pseudomonas aeruginosa (95%); Achados sugestivos; Otalgia constante não responsiva a medicação tópica; Otorréia; Perda auditiva; Sem febre.

Otite Externa Invasiva : Otite Externa Invasiva Complicações: Osteomielite cranial (base); Comprometimento de nervos cranianos (7º par): Paralisia facial.

Mucormicose Rinocerebral : Mucormicose Rinocerebral 50% dos casos em diabéticos (cetoacidose): 50% mortalidade (diagnóstico tardio). Principais agentes: Rhizopus, Rhizomucor, Cunninghamella, Mucor e Absidia. Pode ter evolução rápida: Sinusite; Edema da área facial afetada; Celulite orbitária; Exsudato nasal hemorrágico; Necrose isquêmica com destruição tecidual maciça.

Mucormicose Rinocerebral : Mucormicose Rinocerebral

Colecistite Gangrenosa : Colecistite Gangrenosa Infecção polimicrobiana: Característica formação de gás vesical. Epidemiologia: 1/3 casos em diabéticos; Mortalidade de 15:1em diabéticos; > 50% não se detecta litíase biliar. Achados: Crepitação abdominal (patognomônico).

Bibliografia : Bibliografia Joshi, N.; Caputo, G. M.; Weitekamp, M. R. & Karchemer, A. W. Infections in patients with diabetes mellitus. N Engl J Med 341:1906-1912. 1999. McMahon, M. M. & Bistrian, B. R. Host defenses and susceptibility to infection in patients with diabetes mellitus. Infect Dis Clin North Am 9:1-9. 1995. Mangan, D.; Selwitz, R. H. & Genco, R. Infections associated with diabetes mellitus. N Engl J Med 342:896. 2000. Oliver, R. C. & Tervonen, T. Diabetes - a risk factor for periodontitis in adults? J Periodontol 65(5 - Suppl):530-538. 1994. Sentochnik, D. E. Deep soft-tissue infections in diabetic patients. Inf Dis Clin N Amer 9:53-64. 1995. Tierney, M. R. & Baker, A. S. Infections of the head and neck indiabetes mellitus. Infect Dis Clin North Am 9:195-216. 1995. Pedrosa, H. C. Pé diabético: aspectos fisiopatológicos, tratamento e prevenção. Rev Bras Neurol Psiquiat 1:131-135. 1997.

Fim : Fim

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